Shenia Karlsson

Psicólogos Brasileiros em Portugal

Desde que Portugal e o Brasil em suas relações diplomáticas estreitaram seus interesses

econômicos e culturais, ambos os países saíram ganhando. Claro que, isso envolve questões
econômicas (comerciais) que termina por envolver outros âmbitos e um deles é a atuação
profissional de seus cidadãos em terras estrangeiras, ou seja, portugueses no Brasil, brasileiros
em Portugal. Pouco sei dos portugueses no Brasil, mas tenho algumas informações de brasileiros
em Portugal.

Eu noto que nem todas as profissões têm dificuldades em revalidar seu diploma profissional.
Profissões como arquitetura, engenharia civil, creio que a área jurídica, citando alguns exemplos,
as instituições em Portugal fazem exigências, digamos, dentro da realidade de cooperação
mútua entre os dois países. E a psicologia?

Um caso acontecido por uma profissional: ela tinha mestrado, publicou livros, lecionou em uma
grande universidade pública, tem palestras feitas e comprovadas, mas para estar inscrita na
ordem teria que fazer um mestrado em Portugal. Mesmo com sua extensa trajetória no Brasil,
pouco ou nada valia em Portugal, como não reconhecesse a graduação (licenciatura em

Portugal) e outros importantes feitos acadêmicos, estes, reconhecidos em outros países de
relevância universitária.

Claro que existem critérios, mas que critérios são esses que parecem
impedir que um profissional de psicologia do Brasil tenha tantas dificuldades?


Sabe-se que existe uma unificação na União Europeia quanto ao ensino – o Erasmus.  

Não
entrarei em detalhes, mas refletindo sobre a cooperação entre Brasil e Portugal já mencionado
antes, podemos refletir sobre o que chamamos de “reserva de mercado”. Procede isso?

A formação de psicólogo no Brasil é de 05 anos, enquanto que em Portugal é de 03 anos. Não

cabe a mim questionar a qualidade do ensino in loco, porque desconheço a grade de formação.

Outra questão é o pouco espaço que o profissional de psicologia tem em Portugal aliado aos
baixos salários. Podemos inferir que os 05 anos de formação da psicologia (curso) no Brasil
demonstra uma formação mais completa? Ora, nenhum destes critérios, se for verdade, justifica
tal dificuldade do profissional brasileiro em revalidar seu diploma em Portugal. Se existe algum preconceito ou desinformação, isso é inconcebível, inadmissível. Pensar numa “reserva demercado” pode ser plausível se refletirmos sobre o problema de espaço de atuação em Portugal do profissional em psicologia, mas nada justifica isso porque a competência abre seus espaços.


Quem perde com tudo isso é o cidadão em não ter uma maior diversidade de serviços em
psicologia. Perde também os profissionais portugueses em se privarem de boas trocas de
informações, fundamento da evolução da prática da saúde mental.

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