Shenia Karlsson

Angela Davis, a nossa voz potente

Angela Davis é uma lenda viva, uma figura emblemática das lutas sociais especialmente da luta antirracista. Intelectual e filósofa norte americana – e sobretudo mulher negra, foi considerada nos anos 70 umas das mulheres mais perigosas e encabeçou a lista dos criminosos mais procurados do mundo aos 24 anos de idade.

Foi ferozmente perseguida pelo FBI,usada como bode expiatório, acusada de crimes que não cometeu. Angela era uma voz potente capaz de mobilizar massas, uma real ameaça ao sistema racista vigente nos EUA, tinha que ser silenciada. Presa em NYC, enfrentou um julgamento que se estendeu por mais de 2 anos e, graças às mobilizações sociais ao redor do mundo inteiro e sua postura combativa, foi considerada inocente e saiu livre do Tribunal. FATO HISTÓRICO!

Em seu famoso livro MULHERES, RAÇA E CLASSE, discute primordialmente interseccionalidade. No início de sua obra dá ênfase sobre a necessidade de entender como a mulher negra foi forjada pela escravatura e dos ecos do processo colonial na luta pela emancipação das mulheres negras. O passado influencia o presente. Ela ressalta também a desonestidade intelectual que os registros históricos cometem ao retratar esse momento. Ao meu ver, há vários pontos relevantes nesta obra, a exemplo disto a questão da raça, negligenciada por uma direita que sempre centrou-se em questões de classe e, a questão do gênero, totalmente invisibilizada pelos movimentos negro e feministas. E claro, muitos outros pontos, vale conferir.

Sua obra é uma contribuição fundamental no sentido de localizar o indivíduo negro na modernidade, colocar essa agenda em pauta e, sobretudo, deslocar a mulher negra das periferias das discussões e sim, colocá-la no centro, visto que a mulher negra é a base da sustentação de sociedades estruturadas pelo racismo.

Sem mais spoiller, fica o convite para essa leitura obrigatória para TODES/TODX que desejam iniciar um letramento racial e assumir uma atitude antirracista como forma de combater esse mundo de opressões. O racismo é uma das doenças sociais mais profundas, tem seus impactos na saúde mental e atua de forma negativa na produção de subjetividade.

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